terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Do Subúrbio a Vitória.

Ontem o Brasil pode ter acordado triste sabendo que o Ronaldo ia anunciar o fim de sua carreira como jogador profissional. O fato é que eu não acordei triste, pois além do futebol ser irrelevante para mim, domingo a noite uma banda de ROCK boa foi consagrada no grammy com o prêmio de melhor álbum do ano! Estamos falando do Árcade Fire, fundada no canadá em 2003.
Muitos gostam, outros duvidam da idoneidade dessas premiações, discussões a parte, o fato é que de vez em quando elas acertam e domingo foi um desses dias. Nessa era em que a musica mundial está dominada pelo Rap e pelo Pop, as bandas de rock, seja qual for sua vertente, acabam ficando renegadas aos prêmios secundários, e todas manchetes sempre se voltam as ladys gaga ou justEn bieber espalhados por ai (menção honrosa ao portal da Globo e ao Rolling Stone que colocaram lady gaga como vencedora do prêmio de “álbum do ano”, espero que tenham corrigido o erro hoje).
Pra quem não conhece o Arcade fire nasceu em Montreal na província de Quebec no Canadá, a banda é composta por 8 integrantes e utilizam instrumentos como harpa e xilofone em seus shows, o que é um diferencial que já á vontade de conferir.
Desde que lançou seu primeiro álbum, “Funeral”, em 2004, a banda tem uma carreira ascendente. David Bowie (que chegou a cantar com o grupo) declarou que era uma de suas bandas preferidas dessa geração e o U2 passou a usar a musica “Wake Up” deste álbum na abertura da sua turnê “Vertigo” (aquela que passou pelo Brasil e deu toda confusão na compra de ingressos). Este primeiro álbum da Banda traz a morte como tema principal, motivada provavelmente pelo falecimento dos familiares de alguns dos integrantes durante a gravação do disco.
O segundo disco “Neon Bible” lançado oficialmente em 2007, mantém a atmosfera sombria que é característica da banda, gravado dentro de uma igreja, traz como single a faixa “Black Mirror”. Dentre as onze musicas do disco, destaque para a belíssima “No Cars Go”.
“The Suburbs” lançado ano passado, é o disco que levou a banda a ganhar o Grammy e seu tema está no nome: A vida no subúrbio, já que o vocalista Win Butler, e seu irmão, Willian Butler foram criados no interior do Texas.
“Funeral” foi um álbum de estréia incrível, como muitas bandas gostariam de ter um primeiro álbum com tamanha qualidade, já “Neon Bible” fica apenas como uma seqüência de boas musicas, mas sem tanto destaque. Já em “The Suburbs” o grupo coloca a prova toda sua criatividade e experiência adquirida nesses poucos anos e sai vencedor. Um álbum que não é linear e pode surpreender a cada faixa. Depois do rockzinho que abre o disco, faixa que leva o mesmo nome do álbum, se encontra a melodia elegante e interessante de “Rococo”, o piano vintage em “Suburban War”, um folk sombrio chamado “Deep Blue” e quase fechando o álbum a surpreendente “Sprawl II” com vocal feminino e um pouco de electro. Poucas bandas buscam se reinventar hoje, e geralmente quando acontece, é buscando ser mais comercial, o Árcade Fire e reinventa em nome da Criatividade.
Muita gente reclamou na internet sobre a vitória do Arcade fire, talvez quisessem mais do mesmo vendo uma cantora pop subir ao palco( Provavelmente quem reclamou foi a imensa massa de adolescentes fãs desses artistas), muitos ao invés de RESMUNGAR deviam abrir o ouvido para o que pode ser bom, e garanto que não sairiam desapontados, Não é preciso se vestir de carne, entrar dentro de um ovo, ou ter a franja colada na cara para ser reconhecido. As vezes o Grammy acerta. Também acertou chamando-os pra tocar ao vivo! Foi uma PUTA apresentação!
PS: O Black Key marcou presença e levou o prêmio com “Brothers” de melhor álbum de musica alternativa.
PS2: Mick Jagger também mostrou como se faz.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cada Um Pro Seu Lado



Tudo que é bom um dia acaba, como já diria mais um ditado popular e bastante brega que muita gente insiste em te dizer pra que você se conforme com alguma perda. E não por isso deixa de ser verdade, o grande problema é quando algo muito bom acaba, e te deixa sem saber o que esperar do futuro. E foi exatamente isso que os nossos eternos amigos Noel e Liam Gallagher resolveram fazer com o, como citado antes, muito bom Oasis.

Que o Noel já estava cansado de carregar o violão dele por aí e de cantar pra multidões todo mundo já sabe, até porque qualquer um na idade e nas condições de vida do paizão, faria o mesmo. E igualmente, todos sabem que o Liam também já parecia estar bem menos empenhado pra fazer a coisa ficar bonita. (o que não faz diferença nenhuma, sabendo que desde que eles estejam no palco ou no estúdio, isso já torna a coisa diferente.)

Mas o que realmente preocupou a mim e a muita gente, não foi pra onde o Noel iria viajar com a família ou onde o Liam ia comprar cerveja no fim de semana, e sim o que iria acontecer com tudo que os dois construíram juntos, o tal do Oasis. Isso sim foi o fato preocupante, depois de anos de espera por um novo álbum, que foram devidamente recompensados com um Dig Out Your Soul, uma turnê relativamente grande, que passou até pelo Brasil pra deixar no mundo o último gosto do que foi o Oasis, a famosa banda que despertou o rock no coração de muita gente, de repente tudo acaba com uma briga como qualquer outra das milhões que todo mundo já viu/ouviu falar entre os dois irmãos.

As coisas aconteceram rápido, e pouco tempo depois Liam anuncia que iria formar uma nova banda com os integrantes do atual Oasis, o que ele realmente fez, e deu o nome de Beady Eye. E é exatamente aí que eu quero chegar.
Depois de um vai-e-vem de notícias, gallaghers trocando farpas um com o outro, um monte de confusão, foto das guitarras quebradas, Liam dá um passo a frente e lança o primeiro disco de sua nova banda, o "Different Gear, Still Speeding"
É óbvio que qualquer um que admirou e admira o Oasis fica com um pé, talvez até dois pés atrás em relação a qualquer coisa que seja feita por um Gallagher sem o outro.. afinal, não adianta negar, Gallagher bom são os dois juntos. Sem desmerecer todo o talento e a genialidade do irmão mais velho, e também não subestimando Liam, mas a tradição se fez assim e essas coisas são difíceis de se quebrar.

Bom, mas falando em música, o álbum, com 13 faixas, é bom como todos esperavam, Liam claramente tenta mostrar um lado mais subcultural, com um leque diferente de influências daquelas que o mundo estava acostumado devido aos anos de Oasis, conseguindo imprimir isso até na postura da banda, e nos instrumentos usados na gravação. Um rock n' roll bem feito, pescando inovações em diferentes gêneros musicais, com os vocais carregados e clássicos. O disco é, na minha opinião, o melhor que Liam pode fazer sozinho.

Mas não adianta, pra quem já tem esses dois irmãos dentro do coração, juntos (e isso diz respeito a um grande número de pessoas, afinal, quem já se prestou a gostar do Oasis um dia, nunca deixa de gostar, e gosta muito) a musicalidade, poesia e talento de Noel ficam evidentemente em falta na nova banda. Não estou traçando nenhum tipo de comparação, afinal, são propostas diferentes, mas pedir para que qualquer um analise Liam como ele por si só é pedir demais.

Notícias correm e Noel diz que também vai lançar seu disco no segundo semestre, e o lado bom que a Beady Eye trouxe para os meus ouvidos e meu coração é já saber o que esperar também desse álbum: Bom, legal, mas tá faltando alguma coisa.
 

Falam que o que deus juntou ninguém separa, né? Ah se tivesse sido ele quem juntou esses dois.. mas não, foi o rock.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Fim da(s) Linha(s)

"O White Stripes não pertence mais ao Jack e à Meg. O White Stripes pertence à vocês agora e vocês podem fazer com ele o que vocês quiserem. A beleza da arte e da música é que elas podem durar para sempre se as pessoas quiserem. Obrigado por dividirem conosco essa experiência. O envolvimento de vocês não morrerá nunca dentro de nós. E estamos verdadeiramente agradecidos.
Sinceramente,
Meg e Jack White.
The White Stripes."
Não há denúncias para se fazer hoje.
Não preciso dizer aqui, como faço na maioria das vezes, que a música está em perigo, o Pop é quase baixaria e o Brasil vai se afundando no "sertanojo". O anúncio oficial no site da dupla White Stripes já é tragédia sucifiente.
A dupla que nos mostrou que o Vermelho e Branco podem ter mais atitude do que o Preto está se separando.
Primeiro (um apelo quase pessoal), porque é uma das bandas que mais marcou essa geração, graças ao riff de baixo mais grudento da história do universo. Segundo porque uma legião de fãs ficam órfãos de ótima música, e terceiro porque Jack White vai deixar saudades, mesmo se continuar a expor suas maluquices musicais junto com outros músicos. Porque ninguém nunca se esquece do lugar onde as coisas começaram.
Se Jack era um gênio da música, Meg contribuía com seu carisma, e numa banda com duas pessoas, carisma é algo de suma importância. Suas batidas na bateria eram mais que manjadas. ninguém reclamava. Jack tocava por ambos. O fato é que os dois se completavam, e a completude do som cru e ao mesmo tempo elegante do White Stripes deixava qualquer "salvação do rock" no chinelo.
Não dá pra prever o que vai acontecer agora. Provavelmente Jack se enfiará em mais algum projeto incrível, e talvez demoremos um pouco para ouvir falar de Meg novamente. Não sei se Justin Bieber vai de fato dominar o mundo, ou se o rock vai passar por uma renovação colossal novamente. Tenho minhas expectativas, mas nada muito claro.
O que eu sei, e por isso boto minha mão no fogo, é que muita gente vai lembrar por muito tempo de "Fell in Love with a girl", "My Dorbell" e claro, "Seven Nation Army". Eu vou, com certeza. E confesso, com certa dor no coração.
À Meg e Jack, se pudessem me ouvir, diria:
Obrigado por esses anos. Foi um prazer do caralho.
E que Deus nos ajude nos tempos que estão por vir.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Falando em Música informa

Queridos leitores, estamos abrindo vagas para quem quiser participar da equipe do Falando em Música. Se você se interessou é só mandar e-mail para: tecnicolor@rock.com deixar seu nome e msn/gtalk para entrarmos em contato ou mandar um comentário com seus dados.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os Beach Combers

E o Falando em Música está de volta! Com postagens frequentes e muita indicação de qualidade por aqui e pelo twitter: @falandoemusica. Volta as férias, começo de fevereiro e ainda aquele clima de calor, praia e azaração. Com tudo a ver, eu vos apresento: Os Beach Combers.

Com influências que vão desde os The Ventures, The Sonics até Júpiter Maçã, os Beach Combers fazem um som beat music que é inspirado em trilhas sonoras de filmes. Uma sonoridade crua com rock de garagem e  psicodelia que é a inspiração para as composições.

O primeiro disco é muito bom; pegada surf music com guitarras matadoras. Para o próximo disco, "Ninguém segura os Beach Combers", eles estão fazendo um som mais garage: sonoridade mais crua, menos psicodélica, com guitarras havaianas e equipamentos vintage brasileros buscando a essência do surf music garageiro.

A banda faz parte do cenário independente carioca e já tocou em vários clubes de rock, tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo e foram destaque na amostra de arte no Circo Voador. Eu me recuso a palpitar... o título do próximo disco já diz tudo: Ninguém segura os Beach Combers!



Integrantes:
- Bernar Gomma (Guitarra e Teclado Guzz)
- Guzz (Baixo)
- Lucas Leão (Bateria e Percussões)

Discografia:
Álbuns:
- Beach Combers (2010)

Site:
myspace.com/osbeachcombers
tramavirtual.uol.com.br/artistas/osbeachcombers



OUÇA: Os Beach Combers - Dançando Nu