quinta-feira, 7 de julho de 2011

Falando Em Música Entrevista: Filipe Catto


A entrevista de hoje é com Filipe Catto, músico jovem de voz potente e presença marcante. Mesmo com poucos anos de carreira, Filipe tem um EP gravado chamado "Saga" e música em trilha sonora de novela. Agora, ele vai lançar seu primeiro disco pela gravadora Universal.


Falando em Música: A forma como você interpreta suas musicas ao vivo é bastante marcante, tão poética quanto as suas composições, que possuem bastante vigor, surpreendem pela carga emocional que trazem, e pela qualidade da escrita. A você, o que encanta mais, o momento da composição, a criação, ou a função de interprete te traz mais emoção?

Filipe Catto: Na verdade, cada momento tem seu valor específico. Adoro o momento de compor, adoro poder receber o lampejo da canção... mas, sinceramente, meu tesão maior é o palco. Eu só consigo dar vida, de fato, a uma canção quando eu toco ela pro público. Antes, ela fica meio que suspensa na minha cabeça... mas no momento em que ela é colocada para o público, ela existe de fato. No fim das contas, é naquele templo que tudo acaba ganhando vida, onde eu posso viver cada palavra e ser a coisa que antes só existia no meu íntimo.

F.E.M: Muitos artistas saem de sua terra natal e encontram inspirações diferentes. Sua passagem por Nova York foi importante artisticamente? Em que momento você mais sente essa influência? A mudança agora pra São Paulo, também te trouxe esses sentimentos?

Filipe Catto: Quando eu estava em NY, eu não consegui escrever nada que prestasse... talvez porque as experiências que eu estava vivendo dentro do furacão já me tomassem naquele instante. Quando eu voltei pro Brasil foi que eu consegui olhar praquilo de fora e fruir, compor sobre tudo o que eu vivi e ver tudo de uma outra forma. Mudar é bom, e mudar de cidade traz, naturalmente, outros ângulos. São Paulo, agora, me deu um berço muito forte pra poder me expressar mais livremente. Aqui eu to podendo ser mais leve, e também, de certa forma, mais ousado e mais contemporâneo.

F.E.M: Qual é a sua relação com a platéia enquanto você está no palco? Que reações você espera dela, e como essas reações podem mudar o curso do show?

Filipe Catto: Minha relação é sempre de muito respeito. Eu to fazendo uma tour pelos CEUs da periferia de São Paulo agora, e está sendo uma puta experiência incrível, porque as pessoas ali são extremamente espontâneas e críticas. Não tem enganação, ou você faz o show pra valer, ou está ferrado. Eu acho que não dá pra subestimar nenhum público, o lance é se entregar de coração em cada apresentação, porque aquilo é, no mínimo, transformador pra si, como artista. E sempre tem que se pensar que cada pessoa ali saiu de casa e deixou de ver a novela pra te assistir... e que tem o direito de se emocionar. Eu não sou muito pautado, no palco, pelo roteito. Há, sim, um roteiro, mas rola sempre um jogo de cintura sentindo a vibe da platéia... o negócio é fazer com alma e se deixar levar mesmo, com respeito e profissionalismo, sempre.

F.E.M: Em entrevistas você já citou Elis Regina e Pj Harvey como influências musicais, e nos outros campos da arte como cinema ou literatura, o que ou quem te interessa?

Filipe Catto: Hilda Hilst, primeiro, porque os textos dela são extremamente musicais... rola uma vertigem ali... uma sucessão rítmica de palavras que me deixa completamente pasmo. No cinema eu curto muito os caras mais oníricos, tipo o Lynch, o Wong Kar Wai, o Coppola, a Sofia Coppola, que levam a gente prum outro mundo mesmo... Eu amo também os retratos do Mapplethorpe, os trabalhos do Matthew Barney, da Adriana Varejão, os filmes do Almodóvar, os shows que o Fauzi Arap dirigiu... tem muitas referências.

F.E.M: Você canta nos shows e vai gravar Reginaldo Rossi e Dia Perfeito da Cachorro Grande. Que outros artistas você tem vontade de interpretar e ainda não teve oportunidade?

Filipe Catto: Tem diversas músicas que eu amo e to de olho pra shows ou futuros discos. Tem de Erasmo a Tulipa, de Marianne Faithful a Luz Casal, de Pélico a Junio Barreto e Nina Simone...

F.E.M: Seu Álbum já está em processo de gravação? Como está sendo esse momento de preparação e expectativa pro disco?

Filipe Catto: Foi gravado já, mas os detalhes eu dou depois. Por enquanto eu vou deixar o mistério... Pra mim, foi surpreendente, to muito feliz com o resultado coletivo desse processo louco que é se internar num estúdio e fazer a coisa acontecer. Já tem nome, já tem capa, já tem tudo. Depois a gente conversa.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Especial Planeta Terra: Conheça as bandas que irão tocar no festival

Nesse ano o Planeta Terra faz 4 anos de existência. Muita banda boa e shows inesquecíveis rolaram nas edições passadas: Iggy Pop and The Stooges, Kasabian, Hot Chip, Lily Allen, Sonic Youth, The Smashing Pumpkins, Primal Scream, entre outros. Como sempre, um festival tem como atrações dezenas de bandas. Muitas pessoas vão por causa das bandas que curtem, outras são fã de uma banda e outros vão mais pelo ambiente mesmo. Pensando nisso que o Falando Em Música fará uma edição especial todas as quartas-feiras sobre cada banda que irá tocar na edição desse ano do planeta terra. É uma forma de você conhecer novas bandas, escutá-las, cantar junto, e quem sabe, até virar fã. A primeira banda será postada dia 13 de julho e, como sempre, será avisada a atualização no twitter.

@falandoemusica

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Falando Em Música Entrevista: Giovanni Caruso

É com um prazer imenso que eu informo, que, depois de quase 1 ano, a volta das entrevistas no Falando Em Música será com o talentoso, baixista e compositor Giovanni Caruso. Pra quem já se esqueceu ele foi um dos integrantes (o integrante, na minha opinião) mais importante do Faichecleres. Agora com a banda denominada de Giovanni Caruso e o Escambau, ele faz um som mais maduro e trabalhado, com influências de Sérgio Sampaio entre outras bandas.


F.E.M: Como surgiu a idéia do Giovanni Caruso e o Escambau e como foi coloca-lá em prática?

Giovanni Caruso: Então... quando saí dos faichecleres precisava pensar um trabalho novo, fui então fazer um "retiro" no Paraguay para colocar as idéias (que estavam desencontradas naquele momento) nos trilhos. Primeiro, saíram as músicas que estão no nosso primeiro disco. O lance da banda veio depois, primeiro juntei pedaços, canções, compus outras e fiquei isolado no meio do Paraguay gravando o que seriam as demos do "Acontece nas melhores famílias". Quando ficaram prontas, vim pra Curitiba e comecei a juntar a banda. Foi achar as pessoas certas, ensaiar e fazer, por fim, nosso show de estréia em 2009. Toda essa primeira parte de composição e gravação da demo foi em 2007 (ano que saí dos faichecleres). A banda só se concretizou em 2009 porque neste meio tempo minha mulher (a Loló) ficou grávida, daí a prioridade acabou óbviamente virando outrae resolvemos ter o bebê junto a família dela, no Paraguay (mais uma vez).




F.E.M: Você nasceu no Rio Grande (mais especificamente na Praia do Cassino) no Rio Grande do Sul. Como foi essa saída da cidade pequena pra cidade grande? Foi planejada essa mudança?

Giovanni Caruso: Mais ou menos. Tava rodando no colégio, minha mãe já morava aqui. O Tuba também. Foi foda. Sair da praia sempre é foda acho, mas abriu muito mais espaço pra encaminhar melhor o lado artístico.



F.E.M: Como começou seu interesse por instrumentos, se apresentar, etc? Teve alguma influência familiar?

Giovanni Caruso: Sempre tive em casa, tinha 5 anos e estudava ouvindo os ensaios do Ataque Epilético que era a primeira banda dos meus irmãos, vivia no meio daquele bando de punks e carecas. Depois vieram outras fases como blues e Rock'a'Billy e eu continuei acompanhando a evolução da gurizada ali de perto até que resolvi formar minha banda tocando o que eu gostava que era beatles e rock '50. Era muito bom ficar ali no meio do ensaio daqueles punks todos.



F.E.M: Quais são as suas influências nas composições?

Giovanni Caruso: Atualmente fico à vontade para te responder que são influências ilimitadas, pois de um tempo pra cá tudo de bom que venho ouvindo acaba agregando algo para as minhas composições de certa forma. Se eu fizer um resumo posso citar artistas de música que tenham (talvez) influenciado mais como
como Sui Generis, Erasmo, Sergio Sampaio, Kinks (sempre), Wings, Chico Buarque, Raul, Cartola, enfim, mais uma paulada de gente. Sem contar os que estão na alma desde a adolescência como os Beatles e todas aquelas bandas maravilhosas dos '60, a música negra USA pré-'70, etc.



F.E.M: Além do Faichecleres e da sua banda atual, quais outras bandas você já participou? Tem mais algum projeto rolando?
Giovanni Caruso: Procuro ganhar a vida fazendo som e por isso tenho que me virar, toco toda semana com uma banda blues que se chama Tony Caster & Hard Bone's Blues, faço baixo também com Eder & seus Problemas (Punk Blues), faço violão e voz sozinho onde role fazer,tenho os "Giovanneides" que é uma dupla com o ex-compositor do Pelebrói não-sei onde tocamos nossas músicas velhas, faço umas fossas e castelhanas com a Paraguaia sempre que possível, acho que é isso.



F.E.M: Você acha que pra uma banda tentar algo, é preciso vir pra São Paulo ou pra alguma outra capital? Por que você acabou voltando pra Curitiba depois de morar 2 anos em SP?

Giovanni Caruso: Antigamente era imprescindível, hoje com a divulgação pela internet já nem tanto. Dá pra sobreviver longe, mas sem tanta evidência. Acho que SP continua sendo o melhor caminho. Provavelmente sempre será aqui no brasil. Saí dai porque saí dos faichecleres, não fazia mais sentido estar ai naquele momento.



F.E.M: Você voltaria a morar em São Paulo?

Giovanni Caruso: Não descarto uma volta, inclusive conversamos muito sobre isso no Escambau, acredito vá rolar uma hora, eu particularmente tenho muita vontade de voltar.



F.E.M: Há planos para o segundo disco do Giovanni Caruso e o Escambau? Quando será lançado? E como será chamado?

Giovanni Caruso: Ta pronto já, mixando o final. Será lançado no início do 2ºsemestre. O nome é segredo ainda hehe. Estamos "hibernando".



F.E.M: As bandas independentes nacionais estão cada vez mais em destaque. Qual bandas que você curte e recomenda para as pessoas que ainda são bitoladas na cena internacional?

Giovanni Caruso: Olha, aqui em Curitiba, estamos passando por uma fase muito boa no underground, tem muita coisa boa rolando depois de uns 5 anos de miséria e tenho muito orgulho de comentar sobre isso atualmente. Acredito que deve estar rolando muita coisa boa pelo brasil inteiro nesse momento. Daqui, poderia citar o Chucrobilly man, Trem Fantasma, Crocodilla, Chuvas, Rockstead City Farm e mais um monte de gente, escolhi esses por serem trabalhos mais recentes, gente que apareceu por agora, mas tem muita coisa boa rolando longe dos olhos e ouvidos dos meios mais abrangentes de cultura. De sp a minha favorita são Os Haxixins.




terça-feira, 28 de junho de 2011

E o fail do dia vai para: SWU

Há poucos minutos atrás, a produção do SWU confirmou os seguintes shows para a segunda edição do festival:  Megadeth, Snoop Dogg, Damian Marley, Black Eyed Peas e Peter Gabriel. E Neil Young que era uma atração muito esperada, vai pro SWU não para se apresentar, mas apenas para participar de um fórum sobre sustentabilidade que será realizado no dia 12 de novembro. O que eu aposto que deixou todo mundo puto porque além do Neil Young não tocar, as primeiras bandas confirmadas são, como eu posso dizer, ruins, tirando o Snoop Dogg.



Calma, tem mais...

Ao perguntarem do preço dos ingressos para o Eduardo Fischer, ele deu exemplo "só um ticket para o show da Hannah Montana custa R$400." E também disse que os ingressos serão em média o preço da edição passada.

Caros leitores deste blog, sejamos realistas. Se o Brasil teve ou têm bons festivais, os nomes de tais são Tim Festival e Planeta Terra. Acreditar que SWU ou Rock In Rio tenha atrações como o Planeta Terra, é uma ilusão. Agora se o Gogol Bordello, Arctic Monkeys ou Black Keys confirmar no SWU, eu aguento o Megadeth ou Black Eyed Pead tranquilo. (É o preço que se paga - além do ingresso)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Shows do Final de Semana - Jun #4

Sexta-feira, 24 de junho: 
Charme Chulo no Espaço Mog - Campinas, SP
Preço: R$25,00 - consumação R$30,00
Horário: a partir das 22h. 
Mais informações: http://www.espacomog.com.br/agenda/

Fernanda Takai no Sesc Pinheiros - São Paulo, SP
Preço: R$32,00 (inteira), R$16,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante), R$8,00 (trabalhador no comércio e serviçoes matriculado no SESC e dependentes).
Horário: 21h.
Mais informações: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=195381

Marcelo Camelo no Sesc Santo André - Santo André, SP
Preço: R$20,00 (inteira), R$10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante), R$5,00 (trabalhador no comércio e serviçoes matriculado no SESC e dependentes).
Horário: 21h.
Mais informações: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=195752


Sábado, 25 de junho:
Apanhador Só no Espaço Mog - Campinas, SP
Preço: R$25,00 - consumação R$30,00 
Horário: a partir das 22h 
Mais informações: http://www.espacomog.com.br/agenda/

Del Rey no Studio SP - Sâo Paulo, SP
Preço: R$30
Horário: porta 23h - show 1h
Mais informações: http://www.studiosp.org/at_20110625.php

Fernanda Takai no Sesc Pinheiros - São Paulo, SP
Preço: R$32,00 (inteira), R$16,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante), R$8,00 (trabalhador no comércio e serviçoes matriculado no SESC e dependentes).
Horário: 21h.
Mais informações: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=195381


Domingo, 26 de junho:
Fernanda Takai no Sesc Pinheiros - São Paulo, SP
Preço: R$32,00 (inteira), R$16,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante), R$8,00 (trabalhador no comércio e serviçoes matriculado no SESC e dependentes).
Horário: 18h.
Mais informações: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=195381

Test e o Inimigo no CCSP - São Paulo, SP
Preço: R$10,00.
Horário: 18h.
Mais informações: http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_musica_popular.asp

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Adultos Fluorescentes.


Numa primeira olhada, pensei que Suck it and see, nome do último disco do Arctic Monkeys, fosse baixaria. Senão baixaria, pelo menos algum comentário ofensivo, do tipo, "Chupa essa manga!". Enfim, sem divagações. Não era nada disso.

Em uma entrevista, o próprio Nick O'Malley, simpático baixista da banda, explicou que Suck it and see é uma expressão, mais ou menos equivalente à "Arque com as conseqüências"

(Desculpem minha ignorância, aqueles que já sabiam, mas para mim, não há muita diferença entre "Arque com as conseqüências" e "Chupa essa manga". Cabe discussão.)

Chega disso, vou contar logo a história:

Eu e mais um amigo, discutindo sobre qual seria o futuro do nosso gosto musical. Porque uma coisa é olhar pra trás, notar que se ouvia Sandy e Junior e dizer "obviamente era coisa de criança". E outra, muito diferente, é olhar pra trás, ver The Killers e Franz Ferdinand (que podem até ser coisa de adolescente, mas tem seu charme). Dava um certo desgosto pensar que daqui há alguns anos, olharíamos para bandas como essas e pensaríamos "coisa de criança".Afinal, nossos pais ouviram Beatles e Stones na adolescência.

Coisa de criança?

(Pelo amor de Deus, não pensem que estou comparando The Killers com Rolling Stones. Ainda estou o lúcido. Ainda.)

Chegamos à conclusão de que uma banda, pra acompanhar nossa vida pra sempre, teria que amadurecer à medida que seus fãs amadurecessem, mais ou menos como os Beatles fizeram entre o With the Beatles e o Sgt. Peppers. E amadurecimento vem com o tempo, com experiência, com ousadia e segurança. É um processo difícil, e como eu já disse em algum outro post, a indústria não perdoa erros.

Nós também não, sejamos francos.

Tanto não perdoamos, que não pensamos duas vezes antes de xingar qualquer banda que não alcança as expectativas num disco novo. E parece que no momento que o primeiro single é lançado, já sabemos se aquela banda irá nos acompanhar como trilha sonora de nossas vidas, até o momento em que só tivermos ouvidos pra jazz, samba e música clássica. E se quer minha opinião, quase sempre estamos certos.

Porque o Fall Out Boy não agüentou a pressão e preferiu cometer suicídio à tentar fugir de seu rótulo 'emo' (seguindo os passos do Blink 182), Snow Patrol e Death Cab for Cutie preferiram conquistar as novas gerações de adolescentes em vez de manterem os fãs antigos e o Weezer se enfiou na toca, pra Deus sabe quando sair. E os Strokes, coitados, até tentaram, mas pegaram o caminho errado na encruzilhada. Um caminho muito errado, por sinal.

E se numa primeira olhada Suck it and see parecia baixaria, numa atenta e cautelosa segunda olhada, é o nome perfeito. Não é só o nome do quarto, melhor e mais maduro disco do Arctic Monkeys. É um recado, um sarro muito bem tirado, direcionado a todas essas bandas que tentaram ser e não foram.

Porque se tem uma coisa que todos nós sabemos, inclusive Alex Turner e sua trupe, é que eles não são como estas bandas já citadas. O Arctic Monkeys vai ficar pra sempre, vai ser a trilha sonora de nossas vidas até só termos ouvido para jazz, samba e música clássica. Sendo assim, para todas as bandas que ficaram pelo caminho, eles próprios deixam a mensagem: "Nosso lugar no futuro está garantido. Vocês arquem com as conseqüências."

Ou, se você preferir, o recado é um simples e sonoro "Chupa essa manga!"

Suck it and see.

E se alguém quiser alcançá-los como maior banda de rock da atualidade, é melhor se apressar. Quem avisa, amigo é.

Tempos de feitiçaria!

                                                                        Foto: Marcelo Soares

// Composições inspiradas em Edgar Alan Poe, pitada de Mautner, Dalí e guitarradas influenciadas de Hendrix. Sem esquecer, é claro, do viés lírico mais famoso da cidade do Recife. Júlio Castilho é um artista que se consagrou nos brios independentes da Veneza brasileira. O Falando em Música entrevistou o artista, que se inspira em shows e performances intervencionistas para tirar você da cara! E só para lembrar, a banda do Feiticeiro Julião, está cada vez mais próxima de São Paulo...

Falando em Música // Conta um pouco a história dos teus projetos.
Feiticeiro Julião // Passei muito tempo produzindo e tocando com a Malvados Azuis (junto a Henrique, baixista e irmão sanguíneo). Tivemos mais de 4 anos de banda mas pouco alcance midiático. Além disso, a dificuldade para lidar com músicos que encaram a atividade como hobby fez com que a banda mudasse mil vezes de integrantes, esfacelando assim sua identidade. Descobri muito sobre produção e decidi investir nessa persona que hoje me traz entrevistas como essa e tocadas em picos pesados. Também faço hoje em dia a guitarra na Comunidade Azougue: lançamos um disco de carreira esse ano.

De onde nasceu o Feiticeiro Julião?
Ele nasceu como uma entidade livre de rigores morais, que pudesse expressar no palco muita escrotice e exibicionismo - definidas geralmente pelo público como performance. Além disso, uma atenção especial ao lado marketeiro do produto (que eu produzo agora em parceria musical com Vini Valença) é um dos fatores responsáveis pela repercussão atingida no pouco tempo desde o lançamento do primeiro EP - Manifestado (final de 2010) - que veio junto com o Manifestodomanifestado (que ainda aguarda ser publicado mas está contido nas músicas que tocamos com lemas como o "Intelecto de suor, pensar rupestre a pele" e o "antimaldídoto"). Além de Vini, temos na banda músicos sagazes como Will Bantus (saxofone), Toninho Marques (bateria) e Rinaldo Souza (percussão) que acrescentam todo um suingue e personalidade ao show e com quem aprendo muito, especialmente sobre improvisação.

Quais são as inspirações dessa manifestação do Feiticeiro?
A inspiração maior para a postura xamanística (ou seja lá como definam) veio de Screamin Jay Hawkins e Arthur Brown. Também Salvador Dalí, Jorge Mautner, Secos & Molhados e Hendrix foram ícones tanto visuais como sonoros do nosso som.

Como foi tocar no Abril Pro Rock 2011?
Tocar no Abril Pro Rock talvez tenha sido o auge até agora dessa carreira. "Vencer" um concurso com mais de 160 bandas foi uma missão gigante principalmente pela questão dos votos do público. Sorte/ atenção minha que fui um dos primeiros a me inscrever então comecei somando votos desde cedo pedindo via facebook/twitter que os brothers votassem diariamente. Ir pra a final e ser escolhido por uma comissão julgadora importante com gente como Miranda, Andreas Kisser e Zé Teles (além do próprio Paulo André) foi uma prova de que o produto do nosso trabalho é digno de qualidade nacional.

Qual sua relação com o mundo das ideias?
Estudo bastante sobre Literatura - o que termina envolvendo Filosofia. Edgar Alan Poe, uma referência também ao compor o Feiticeiro Julião, tem estudos intensos sobre a forma, a métrica e o universo. Jorge Mautner, que além de músico tem uma obra literária muito vasta e antiga, é um dos pilares de minha postura com seu amálgama e materialismo místico. Para mais detalhes procurem sua Mitologia do Kaos. Porém, não acredito no intelectualismo, na prisão às idéias pois através da vivência podemos “experienciar” tudo o que os autores colocam nos livros. Sou anti-acadêmico por valorizar o instinto.

É possível fazer fama tocando o que ama ouvir?
É possível caso esteja atento a como alcançar o público alvo. Reclamar que não é chamado pra tocar e que ninguém vem produzir o seu som não é a saída para que as coisas funcionem. Ter um material de qualidade (mesmo com pouco orçamento) é possível, mas pra isso é preciso foco e direção - que no caso de bandas autorais pequenas deve vir dos próprios integrantes. Também avaliar quais composições estão maduras para serem publicadas e quais precisam de mudanças é essencial. Gravar uma demo com 3, 4 músicas bem trabalhadas é mais interessante do que gravar um disco inteiro solto, sem consistência. Também a questão do audiovisual é essencial hoje. Profissionais com equipamento bacana e boa vontade (como Bruna Coutinho, cineasta e fotógrafa recifense) ajudaram muito nas recentes conquistas do Feiticeiro Julião e isso não é impossível de se conseguir. Quanto à fama (ou repercussão), ela não virá do trabalho de terceiros, mas do próprio artista ou grupo e de como se empenha e sabe desenvolver sua imagem nos meios gratuitos e "democráticos" como a internet.

Quando foi que você despertou para a música?
Despertei para a música quando criança/ adolescente, empolgado também com a questão visual. Também escrevo há anos, o que me ajudou a ter um material mais profissional hoje em dia e facilidade para mexer com palavras. Chico Science (para citar algum ídolo local) foi um dos que despertou essa vontade de produzir quando eu era criança. A performance do The Who em Woodstock também me fez querer encarar a coisa de maneira definitiva na vida. Estar no palco é um dos focos.

Você usa o mundo interior nas suas composições?
Esse interior é a base das composições. Aquela introspecção e a sensação de que há algo dentro que precisa ser exposto é forte e isso precisa tomar uma forma pra que se torne universal e não meramente um desabafo pessoal cujo valor estético seria mínimo. As composições estão voltadas para os ouvidos também do público, pois além de músicos também somos ouvintes do que produzimos e pode soar enfadonho algo que não esteja atento à questão da audição, limitando-se ao sentimento dos que estão tocando sem alcançar os que querem apreciar. Quando danço não é só pra mim, é pra ser uma imagem, mas é basicamente o que tenho dentro pra mostrar (por vezes sexual, fálico, mas sem malícia). O mesmo posso dizer dos que tocam junto com o Feiticeiro Julião.

Como é tirar os outros da cara?
“Vou Tirar Você da Cara” é um tema que ouvi do Fábio Juvenil (Dunas do Barato, Canivetes) e tomei pra mim, adicionando o trecho que fala do “melada de se divertir”  pois tem tudo a ver com o público recifense, que apesar de receptivo é bem travado, estático, reprimido. As pessoas ficam naquele conforto de voyeur de só assistir e esquecem de curtir, de se entregar. Não é a toa que muitas vezes ouço "queria tanto ter dançado, só não consegui soltar". Tirar da cara - dessa careta estática - é necessário e é certamente meu objetivo principal. Também a questão dos alucinógenos e da erva santa está envolvida pois se bem utilizados podem ser uma ferramenta para o alcance de outro estágio de consciência onde os rigores morais que citei no começo da entrevista são deixados de lado e pode-se viver, liberto, algo realmente único.

Como tu vês o rock do Recife atualmente?
Não creio que haja uma identidade comum entre a maioria das bandas - o que é um produto positivo da muita multiculturalidade local (risos). Temos bandas novas bacanas chegando aos holofotes, isso é uma evolução. Talvez o que falte é apenas uma ajuda mútua entre os músicos. Aqui não há muito o costume de um divulgar o trabalho do outro. Talvez por medo de perder o pouco espaço que nos é reservado e o público que não quer pagar pra assistir às bandas autorais em eventos de menor porte.

Existe alguma outra atividade que desperte uma manifestação cultural dentro de você?
Sim, vou me formar em tradução de inglês pela UFPE, focando em textos literários (especialmente tradução de poemas, o que requer uma vivência literária, pois não se trata apenas de trocar palavras como é o caso de muitas traduções técnicas). Além disso, sou um dançarino nato, o que incorporo também no palco. Também sou faixa preta em karatê (apesar de ter parado há alguns anos) o que também influencia no movimento corporal nos shows. Como falei anteriormente, também escrevo poemas (que vez ou outra terminam em música).

O que você pode dizer da atual concepção de mídia para o mercado musical?
O clichê das redes sociais não deve ser subestimado, pois fenômenos virtuais são lançados a cada dia com alcance de milhões de acessos. O difícil é manter no auge o que se conquista através de youtube, facebook, etc. Pra isso creio que é preciso uma maturidade artística e visão de mercado. Também a questão dos coletivos pra mim tem uma importância grande (faço parte do Lumo que é um coletivo de Recife integrante da Rede Fora do Eixo, de alcance nacional), pois envolve uma cadeia de profissionais de vários estados que podem auxiliar o grupo contanto que haja uma troca de ambas as partes. A questão das gravadoras já foi sublimada; ganhar dinheiro com venda de discos é só pros que vendem música pra novela ou tem contratos milionários. Divulgar e disponibilizar o som para o mundo inteiro via internet é a solução para que seu som tenha público.

Quais são os próximos passos do Feiticeiro?
Os próximos passos são lançar o primeiro disco de carreira que estamos gravando no Malunguim Studio e no Fábrica e fazer a primeira turnê para outro estado (no caso São Paulo, onde tocaremos no Festival Caipirorock e outros picos). Também um clipe está a caminho.





Glossário recifense:

Pico - lugar, ambiente;
Escrotice - diversão, doideira, sinônimo de ser algo legal e engraçado;
Tirar da cara - fumar um baseado, acender uma ganja.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Rios, pontes & overdrives, impressionantes estruturas de lama!

Boa tarde, meus queridos, como estão?

Meu nome é Felipe Dias, sou jornalista, cinéfilo, já toquei numa banda indie e tenho alguns projetos de música eletrônica. Não me considero DJ, mas sou um adepto da boa discotecagem. Não vim aqui para falar de mim e, sim, sobre a nossa nova coluna. A partir de hoje, o Falando em Música disponibilizará para vocês informações sobre o eixo musical independente de Recife, capital de Pernambuco.

De fato, o Recife é uma cidade renovada no âmbito musical. E nisso pode-se constatar a onda manguebeat que a cena viveu na década de 1990. Porém não foi com Chico Science & Nação Zumbi que tudo começou. Muitos se esquecem de uma época recifense marcada pelo udigrudi, em meados da década de 1970, onde emergiram artistas do teor do Ave Sangria, Alceu Valença ou, até mesmo, Lula Cortês. A peculiaridade do rock pernambucano sempre esteve atrelada às raízes da cultura, do toque regionalista que tanto caracteriza os riffs mais pesados ou, talvez, as linhas de baixo mais improvisadas, somando a letras poderosas.

O tempo veio e o sustentáculo dessa penca de bandas teve um volume muito baixo de produção. A Ave Sangria de Marco Polo Guimarães, vocalista e compositor, foi para um hiato interminável e se perdeu nos bares e noites boêmias da Rua da Moeda, no Bairro do Recife – ou Recife Antigo, como preferir. Houve tentativas de retorno dos integrantes, mas todas falhas, infelizmente. Com o fim da década e do hiato de produções, 1980 só despertou ao final. Havia esperança nos subúrbios. De Casa Amarela, maior bairro da cidade, surgia algumas sutilezas pontuais. Principalmente num bairro dentro do bairro: o Alto José do Pinho. Lá, no final de 70 e começo de 80, o manifesto artístico era abundante. Havia bandas de punk, rock, hardcore, maracatu, frevo, rap e hip hop, enfim, uma variedade. Os fanzines eram distribuídos, garotos se juntando para beber vinho e escutar “rock pesado”, tidos como “maconheiros vagabundos”.

SS-20, Matalanamão, Faces do Subúrbio, O Verbo, só para citar algumas variações do bolo do Alto. Não se pode esquecer a mais pesada: Devotos do Ódio, que depois ficou conhecida apenas por Devotos. O nome da banda, no início da carreira dos caras, foi uma referência ao livro homônimo do escritor maranhense José Louzeiro, que gira sob um tema recorrente e histórico de Pernambuco: invasões do Movimento Sem Terra (MST). Cannibal, Cello e Neílton lutaram contra tudo e todos. Mas a luta e o ódio eram pacíficos, eram punkrockhardcore. E eles se conectavam, daí surgindo uma era propícia para a retomada da música pesada recifense: Sheik Tosado, Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e o manifesto do Caranguejo.

Pois é, amigos, o apresentador China, de sotaque peculiar na MTV foi o antigo vocalista da banda Sheik Tosado. No álbum “Som de Caráter Urbano e de Salão”, é clara uma forte influência de uma geração. Assim como no “Da Lama ao Caos”, de Chico Science & Nação Zumbi, que mesclava as guitarras pesadíssimas com o som do maracatu. Devotos também marcava presença, mas um pouco antes desses dois, lançava o “Agora tá Valendo!”. E tava valendo, mesmo.

Bem-vindos ao mundo da música recifense, amigos. Uma nova era em reflexo a tudo que já foi feito. E tudo que virá! A música da Cidade do Recife tem algo notável: sua peculiaridade. Ao longo das postagens, mostrarei-as de forma a divulgar também os melhores artistas da terrinha. Por enquanto:


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Algumas novidades de 2011


Há muito que se discute o papel das gravadoras no cenário musical, e este ano, a banda Vanguart, que fazia parte do portifólio de uma grande gravadora volta ao cenário independente. Enquanto o disco não sai do forno, fica a expectativa de saber o quanto isso pode influenciar no trabalho final. 

O Vanguart tinha um contrato com a Universal, mas não lançou nenhum disco de estúdio com o “apoio” desta, apenas seu “multishow ao vivo” gravado no final de 2009 em São Paulo. A Banda chegou até a Universal após muito sucesso, prêmios e destaque no meio independente, sendo considerada por muitos uma das melhores bandas da década e uma das faces da musica independente brasileira. Talvez por isso a parceria com a universal tenha soado estranha para alguns, e no final das contas, acabou sem grandes novidades, sendo rescindida por iniciativa da Banda.

O antigo quinteto liderado por Helio Flanders, que agora conta com a participação de uma presença feminina no grupo, a violinista Fernanda Kostchak, gravou seu próximo disco em sua terra natal, a cidade de Cuiabá. O disco está em fase de finalização e os integrantes da banda prometem seu lançamento para o final de junho.

Ainda no assunto “gravadora” a banda cachorro grande vai mudar os rumos também neste ano. Após uma parceria de 6 anos com a Deckdisc (a mesma da pitty) e o lançamento de 3 discos, com direito a mixagem em Abbey Road, as duas partes romperam, e os cachorros partiram para a Trama, gravadora de médio porte, que transmitiu na internet parte das gravações do álbum a ser lançado este ano. 

O disco que deve sair no meio do ano, é definido pelo vocalista Beto Bruno, confiante com a produção que ficou a cargo dos próprios membros da banda, como o mais Rock´n Roll de todos lançados pelo grupo. Resta esperar pra ver se a banda volta a suas raízes mais sessentistas, ou se vai viajar por outras décadas da história do rock, como foi no caso de Cinema, que flertava com o Space Rock. 

O guitarrista Marcelo Gross também prepara uma surpresa para os fãs, logo após a finalização das gravações do disco da Cachorro Grande, ele é quem entra em estúdio para gravar seu primeiro álbum solo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Shows do final de semana - Maio #4

 E então, finalmente, voltamos com a programação (para a alegria de muitos).


Sexta-feira, 27 de maio:
Alan McGee discoteca no Studio SP (15° Cultura Inglesa Festival) 
- São Paulo, SP 
Preço: R$25,00.
Horário: 23h.
Mais informações: http://festival.culturainglesasp.com.br/dj-alan-mcgee-no-studiosp/307

Tiê no Sesc Belenzinho - São Paulo, SP
Preço: R$24,00 (inteira), R$12,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante), R$6,00 (trabalhador no comércio e serviçoes matriculado no SESC e dependentes).
Horário: 21h30.
Mais informações: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=194531



Sábado, 28 de maio:
Archie Shepp no Sesc Pompéia - São Paulo, SP
Preço: R$32,00 (inteira), R$16,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante), R$8,00 (trabalhador no comércio e serviçoes matriculado no SESC e dependentes).
Horário: 21h.
Mais informações: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=193240  

Gustavo Prafrente na Galeria Osvaldo Cruz - São Paulo, SP
Preço: Gratuito.
Horário: 15h.
Mais informações: http://www.facebook.com/event.php?eid=164368876959429



Domingo, 29 de maio:
Archie Shepp no Sesc Pompéia - São Paulo, SP
Preço: R$32,00 (inteira), R$16,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante), R$8,00 (trabalhador no comércio e serviçoes matriculado no SESC e dependentes).
Horário: 19h.
Mais informações: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=193240


ESPECIAL 15º CULTURA INGLESA FESTIVAL

PARQUE DA INDEPENDÊNCIA:
11:00 - Cadillac Bourbon  (Banda vencedora da votação)
http://festival.culturainglesasp.com.br/cadillac-bourbon-banda-vencedora-da-votacao/2002

11:30 - Lady Luck (Banda vencedora da votação)
http://festival.culturainglesasp.com.br/lady-luck-banda-vencedora-da-votacao/1979

12:00 - Broth3rhood
http://festival.culturainglesasp.com.br/broth3rhood/2007

13:00 - Cachorro Grande toca The Who
http://festival.culturainglesasp.com.br/cachorro-grande-toca-the-who/1930

14:15 - Mockers toca The Beatles
http://festival.culturainglesasp.com.br/mockers-toca-beatles/438

15:30 - Blood Red Shoes
http://festival.culturainglesasp.com.br/blood-red-shoes/2582

17:00 - Miles Kane
http://festival.culturainglesasp.com.br/miles-kane/2398

18:30 - Gang Of Four
http://festival.culturainglesasp.com.br/gang-of-four/342


o resto da programação você encontra AQUI!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Quem Precisa do Rock In Rio?

Agora que todas as principais atrações do rock in rio foram confirmadas, fica a pergunta – Quem precisa do Rock in Rio?

Esse festival que teve a sua primeira edição em 1985, com bandas como Queen, AC/DC e Iron maiden, depois outras duas edições em terras cariocas, até resolver se tornar um imigrante europeu, como bom brasileiro que é, indo parar em Lisboa e Madri, agora volta para mais uma edição no Brasil, sendo muito criticado por uma enorme quantidade de atrações não roqueiras.

A verdade é que a primeira edição do Rock in rio, representou um marco para a música brasileira, pois os grandes nomes da musica internacional não chegavam a tocar por aqui, nem haviam grandes festivais para os músicos oriundos desta terra. Isso fez a marca “Rock In Rio” ganhar tamanha notoriedade, o evento tinha hino e cidade própria, e até hoje quando se fala este nome, as pessoas imaginam algo grandioso e único. Por causa dessa popularidade que o evento ganhou, é normal que a nova edição, traga em seu line up atrações mais populares e menos roqueiras, indo desde cantores de axé a trilha de novela. O que vale agora é atrair a atenção de todo mundo, todos os gostos, pra esgotar os ingressos (o que já aconteceu) e manter o status de grande festival.

Passados vinte e cinco anos da primeira edição, o Brasil já virou rota de muito musico internacional de renome, já temos outros grandes festivais, que mesmo engatinhando perto do que acontece na Europa e Eua, são nossos, e ninguém tira. Yes We Can. Então eu volto com a pergunta - Quem precisa de Rock in Rio?
Hoje ele serve como uma espécie de comemoração do que aconteceu em 1985, os pais falam “fui ao primeiro rock in rio!” como algo fantástico, e o era de fato, pois o Brasil era outro. Hoje não é mais novidade falar que se foi em qualquer festival, porque acontecem todo ano e em maior quantidade, e sempre haverá algum que agradará mais um certo tipo de público que outro. Ele não é maior que nenhum Planeta Terra ou o novo SWU. Rock In Rio não abre mais as fronteiras brasileiras.

Se você quer ver o Elton Jhon ou o Red Hot Chili Peppers, vá ao festival. Mas se o que você procura é algo com clima de Rock In Rio I. Esquece. Aquela sensação de novidade e euforia não vai mais acontecer no Brasil, o que sobra é o público pressionar para que os eventos sejam cada vez maiores e com atrações pra deixar qualquer Glastonbury com inveja. Enquanto isso não acontece, não vale mais criticar a falta de Rock no Rock in Rio, já passou a hora. Agora é esperar confirmar as atrações dos outros festivais, e escolher o que mais agrada. No fim o que vale, é o que você gosta.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Heroína.



Domingão, dia das mães, festa de família, todo o pessoal reunido na sala, barriga cheia... e o DVD da Amy Winehouse tocando em alto e bom som, animando o pessoal.
Ok, digam exatamente o que vocês pensaram. Eu juro que eu também pensei:
Se tem uma coisa que não combina com esse ambiente extremamente familiar que acabei de descrever, essa coisa é, definitivamente, Amy Winehouse.
Vocês me entendem; não é por sua música, longe disso. O problema é sua vida pessoal, que foi escancarada para o público, e agora faz com que eu pense que qualquer DVD seu deva ter censura de dezoito anos, por ser baixaria em potencial...
Mas deixa pra lá. O show que passava na televisão (na verdade o único gravado pela cantora) era intitulado "I Told You I Was Trouble", de 2007, gravado em Londres. Vou dizer que o que vi me deixou muito mais triste do que contente: o show é sensacional. Digo sempre pra todos que sou fã da moça, mas aquela Amy me surpreendeu. Um teatro pequeno, mas grandioso, comandado por uma moça magricela, mas não menos grandiosa, em plena forma.
A voz que surpreendeu o planeta parecia dominar a todos do outro lado da televisão. Até eu, à distância vendo um show gravado há tempos, fui fisgado por um singelo gesto da cantora; um leve movimento de levar a mão até acima dos olhos para cobri-los da luz e poder enxergar a platéia. Me senti sendo vigiado pela maior estrela do mundo pop. Tive medo.
Meu medo durou pouquíssimo. Foi só lembrar de quem é Amy Winehouse atualmente, não preciso nem descrever.
(Me desculpem pelo duplo-sentido do título, mas foi mais forte do que eu. Voltando...)
No fundo, é isso que me entristece. Porque Amy foi sim uma estrela. Dominou a grande mídia e conquistou seu espaço cantando uma mistura de jazz com pop cuja fórmula deu muito certo. Era o momento perfeito para todas as outras cantoras entenderem que ninguém agüenta mais dramas adolescentes e canções futilmente confessionais. Eu juro que não estava sozinho nesse pensamento: até a Lily Allen deu uma declaração chiliquenta dizendo que nunca chegaria aos pés de Amy. Fiquei eufórico, parecia que a música poderia ir para o caminho mais certo...
Mas é claro que, como sempre, eu estava errado. Amy se afogou nas drogas e ainda não aprendeu a nadar, matando a solitária semente de esperança que eu relutava em guardar sobre o mundo pop. E Desde aquele 2007, ano daquele show lá longe, em Londres, muita água já rolou: morreu o Michael Jackson, nasceu a Lady Gaga e a Beyoncé ganhou cento e oitenta e sete Grammys.
E como tudo que é ruim pode ficar pior, até a Avril Lavigne resolveu lançar disco novo. Eu tava tão feliz que ela tinha morrido...
Enfim, o DVD acabou e o domingo já estava escuro. Tiraram o disco do aparelho e colocaram no "Fantástico". Pra piorar, fui dormir com uma tremenda azia. Só não descobri ainda se é culpa do bife à parmegiana (cortesia do dia das mães) ou da situação musical do mainstream. Melhor que seja do bife, que eu já sei que tem remédio. Quanto ao remédio pro mundo pop...
Bom, quem sabe na semana que vem.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Especial Iggy Pop

Ontem, dia 21 de abril de 2011 foi aniversário de um dos caras mais mito do punk rock. Estou falando do cantor, baterista e o frontman mais foda de todos os tempos, Iggy Pop.

A última vez que ele passou pelo Brasil foi em 2009 no festival Planeta Terra. Como foi um puta show que merece ser lembrado, separei alguns momentos para fazer uma singela homenagem e também mostrar aos que desconhecem o que é Iggy Pop.

Começando por "Raw Power", do álbum de 1973 (com o mesmo nome da música), um dos meus favoritos:



"I Wanna Be Your Dog" é do primeiro álbum intitulado "The Stooges" de 1969. É uma das músicas mais clássicas da banda e extremamente sensual:



Saindo um pouco da carreira do Iggy com os Stooges, temos a "Lust For Life" do álbum de 1977 também chamado "Lust For Life" que teve uma ajuda do David Bowie na produção:



E finalmente o momento mais épico não só da minha vida, mas de muitas outras. O show do Iggy Pop no festival Planeta Terra em 2009 foi, como sempre, insano. Tumulto, pessoas pulando por cima das outras, shake appel do lado do Iggy Pop, não vou falar mais nada. Veja você:



Além dos 4 álbuns com o Stooges, o Iggy Pop tem mais 16 álbuns solos. Dos Stooges eu recomendo praticamente todos, não curto muito o último "The Weirdness" mas mesmo assim é bom. Dos solos eu recomendo o "Lust For Life", "The Idiot" e o "Brick By Brick". E é isso.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ângulo Raso


Vos digo, e não sou o único: Sempre achei que o rock contemporâneo era sustentado por três pilares: Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, e Strokes.
Não só pela proximidade sonora e cronológica, mas também ao que se propunham. Todos os três surgiram num momento no qual o rock estava quase morto. Quase, porque toda regra tem sua exceção, mas enfim.
Tendo isso em mente, parei para ouvir o Angles, novo trabalho do Strokes que vazou na internet. Depois, ouvi Brick by Brick, único single lançado pelo Arctic Monkeys de seu novo disco, que deve sair em junho. Ainda, ouvi novamente todo o último disco do Franz Ferdinand, que também já anunciaram novo trabalho pra esse ano. A partir disso, cheguei a uma conclusão...
Antes de contar, devo dizer que, só pra ter certeza, ouvi tudo de novo. Mas tudo mesmo.
Todos os discos de todos os três. Cada single, cada pedacinho da história de cada uma dessas bandas que crescem junto comigo. Minha conclusão inicial estava certa:
O Angles é chato.
Chato, pois sim. Chato, sintetizado demais, eletrônico demais, falta aquela pegada de rock de garagem que o Arctic Monkeys não perdeu jamais! Falta a segurança experimental para utilizar a música eletrônica, coisa que o Franz tem de sobra. O Strokes não. O que me leva a outra conclusão:
Não é só o Angles que desaponta.
É o Strokes como um todo.
Porque se o Arctic Monkeys achou no Humbug (2009) a maneira mais saudável de se revonar, sem perder a pegada, e o Franz Ferdinand, no Tonight (2009) se jogou de vez na música eletrônica sem perder a identidade, o Strokes se perdeu completamente logo após o sucesso de Room on Fire (2003).
Os Strokes foram certamente referência para Franz e Arctic Monkeys. Foram pioneiros na arte de retomar o rock. Foram influência. Mas foram equiparados, e nesse ano de 2011, onde todos virão com novos trabalhos, podem facilmente ser ultrapassados.E para a banda que veio ao mundo como "salvação do rock", qualquer coisa que não seja o primeiro lugar, é pouco, pouco demais. Talvez o verdadeiro Strokes não seja mesmo "salvação do rock", talvez estivéssemos enganados. Talvez o Strokes, depois de dez anos de estrada, seja isso daí mesmo.
Talvez o Strokes seja pouco demais. E a indústria não perdoa ninguém.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Making Angles - Ep. 1


O The Strokes acaba de postar em seu site o primeiro episódio de uma série de vídeos de bastidores da gravação do seu novo disco intitulado “Angles”.

O novo disco será lançado em 22 de Março e é um dos mais esperados do ano depois do jejum de 5 anos sem gravar.


Assista o Ep. 1:

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os reis

Eles voltaram. O quinteto inglês liderado por Thom Yorke, depois de um hiato considerável para os fãs, lançou um novo e aguardado disco nesse final de semana.

The King Of Limbs, para o bem ou para o mal, é o Radiohead em sua essência. Desafiante, questionador, fresco. Para ouvidos despreparados, um prato não muito fácil de digerir.

O disco começa com Bloom, um tribal/indie/frenético/eletrônico que serve de base para a melodia hipnótica da voz. Uma ótima maneira de abrir o disco e indicar os caminhos em que os próximos minutos de audição nos levarão. Um canto gregoriano do rock.

Morning Mr. Magpie acelera o ritmo. Mantém a aura da faixa anterior, porém já é possível arriscar mexidas de corpo e animação. Fica bem clara a fixação da banda, neste trabalho, pela música eletrônica, pautada em riffs rítmicos constantes.

Agora a coisa muda de aspecto. Little by little traz uma ambientação malandra, com ginga. A faixa nos faz imaginar chegando de mansinho na cena, "pouco a pouco", literalmente. Como se conhecêssemos como a palma da mão uma sala escura e quiséssemos provocar alguém perdido: o tipo de mistério que nunca faz falta em épocas de obviedades como a nossa.

Considerei Feral, me desculpem os fãs, aquela faixa sem sal que quase todo álbum tem. Suspiros, gemidos, e batidas digitais que remetem às músicas anteriores. Boa, sem dúvida, mas não um clássico. Acaba muito rápido também. Não se desenvolve.

Inquestionável obra-prima do disco, Lotus Flower é sensacional. A trilha sonora perfeita para arrebentar os fones de ouvido enquanto você dança sozinho dentro do trem esperando a sua estação chegar. Em um exercício não-linear de voz de Thom Yorke, a psicodelia serena toma conta de seu cérebro. Você não sabe o que está ouvindo. A canção toma rumos inesperados. Quando você imagina que tem algo, não tem. Quando você acha que acabou, continua. Espetacular. Não à toa foi escolhida para o primeiro clipe (também genial, mas que não comentarei aqui. Todo mundo já fala da dancinha estranha do vocalista pela internet): é o carro-chefe que vale a pena toda à espera por algo inédito.

Codex me encantou. Uma música verdadeiramente "radioheadiana". O piano recria o clima bucólico perfeito para versos como "the water's clear and innocent". Onírica, se fosse uma cena de filme, as margens da tela seriam embaçadas como em um sonho. É possível sentir a emoção necessária para se ouvir durante a fossa, em um dia frio e chuvoso, quando todos estão na balada e suas únicas companhias são cigarros e uma garrafa de uísque vagabundo. Apaixonante. Sem pressa para acabar ou se expor. Ela simplesmente é.

Completando a trilogia das minhas faixas preferidas do disco, Give Up The Ghost é quase um canto gospel protestante feito em alguma igreja para loucos no céu, regada por LSD e muita paixão. Canais de vozes combinando e dialogando entre si, combinando ainda com um violão que repete o tema principal ao longo do tempo. Eu imagino esta faixa sendo cantada a plenos pulmões por milhares de pessoas em algum festival de música, luzes baixas, isqueiros acima da cabeça e o preço dos ingressos valendo a pena. Uma ode em loops.

Chegamos ao fim com Separator. Um bom encerramento. Segue a mesma linha de pensamento do álbum inteiro. Não há muito o que se falar também. Tem um bom refrão. Instrumental bacana. Talvez a mais pop do disco. Termina deixando a vontade de ouvir tudo outra vez.

Gostei do que ouvi. Esse novo álbum do Radiohead pode não se tão fantástico e inovador quanto outros de sua carreira, mas não peca em nenhum aspecto. Provavelmente será o top da minha lista por muito tempo ainda. Fico feliz em saber que ainda existem bandas desse naipe no mainstream: uma última e fraca chama de esperança no breu da superficialidade musical que nos assola.

Como todo trabalho do Radiohead, raramente ama-se de início. E talvez até por isso mesmo me viciei tanto nessa banda: por tanto odiá-la e estranhá-la. A música tem dessas de vez em quando ...